Mas aí, um dia alguém consegue arracar de mim coisas que eu não gosto de falar, começa aos pouquinhos, muuuito lentamente a desvendar os meus segredos, a conhecer a minha vida , minhas crenças, minhas dores e esperanças, minhas ideologias, minhas preferencias e dúvidas, enfim, a conhecer a Elayne que ninguém conhece. Vínculos muito estreitos de íntimidade estão sendo criados e isso me apavora, estão conseguindo tocar em partes da minha alma que ninguém nunca antes sonhou que existisse.
São vínculos de amizade, sim, mas isso me faz sentir desprotegida. Onde está a minha carapaça, quem a tirou de mim?
Não gostaria que alguém percebesse que por trás dessa menina, que passa por cima de tudo e enfrenta todos de cabeça erguida, tem alguém quer quer ser cuidada, cheia de arranhões e feridas que estão cicatrizando, que quer ser julgada pelo que é e não pelo que parece ser, mas aí vem a minha contradição: como ser julgada pelo que sou se tenho medo de me mostrar exatamente como sou?
Uma coisa sobre a qual refleti sobre os jugamentos que fazemos é que, quanto menos conhecemos o que estamos julgando, mais julgamos. Mas quando quando conhecemos passamos a compreender, ou pelo menos relativizar, os diversos motivos que levam as pessoas a tomarem infinitas atitudes.
Por isso que quando me julgam sem saber da minha vida, de minhas dores, das coisas pelas quais passei é o mesmo que me matar lentamente, praticamente uma tortura, entretanto eu não me mostro, não me abro; mas essa pessoa conseguiu o que nenhuma outra conseguiu, ainda assim, continuo querendo minha carapaça de volta.
"Quando chego ali e entro no elevador,
aperto o 12 que é o seu andar,
não vejo a hora de te encontrar
e continuar aquela conversa
que não terminamos ontem e ficou pra hoje
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu"
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu"
Cássia Eller - All Star

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