segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ei, você aí, me dá um dinheiro, aí?


Hoje vi uma cena na qual eu não queria acreditar. Senta, que lá vem história:

Saio da faculdade e pego o buzão lotado pra recarregar a porcaria do "VEM" novo método de bilhetagem eletrônica pra estudantes daqui do Recife (um passe-fácil mais moderno).
Aquela porcaria mudou agora, então vou eu, cansada, com fome, com sono, com preguiça, pegar o buzão lotado², chego lá, enfrento uma fila gigantesca putaqueopariu!tavaenorme num sol escaldante; finalmente entro naquelaporra - sim, a fila estava dobrando a esquina - e quase morro desidratada de tanto calor, quase uma hora em pé, pela graça de Deus sou atendida, saio (com muito sacrifício, imprensada no meio do futun do povo suado) e vou caminhando pra a parada do ônibus - sim, ser pobre é lasca, ser pobre E estudante é lasca², vocês sabem do que eu tô falando - compro um copo de água mineral pra refrescar o calor, ...

PAUSA

Até aí vocês devem estar dizendo: tô lendo essa bosta à toa Cadê a parte interessante, Elayne?

ESPEEEERA...

... compro um copo de água mineral pra refrescar o calor, um ônibus chega (não era o meu), e um bate-boca entre os vendedores ambulantes começa, fiquei parada, sem entender, entre muitos "Meu irmão, ninguém aqui comprou a cidade, não!", "Você tá me ameçando?!" e "Todo mundo aqui é pai de família!", consegui finalmente desvendar o motivo da briga, explico:

Um deles tinha oferecido seus produtos pra um dos passageiros do ônibus que aceitou uma água mineral (R$ 1,00), o outro vendedor veio depois e fez o mesmo, o passageiro comprou a água do segundo ambulante, criando assim toda a confusão. Quando me dei conta do motivo da briga deu até vontade de tirar um real a carteira e dar pra o primeiro ambulante só pra ele calar a boca.

Meu Deus, que país é esse?! Que mundo cão é esse?!
Tô abismada até agora, juro.
Ah, dez minutos depois saí de lá e a discussão continuava, porém agora do outro lado da rua.
Junta tudo: a falta de estudo o suficiente (as vezes eles os tem, nós sabemos), com a falta de oportunidade, com o estresse, com o mundo capitalista no qual vivemos e tanto gostamos (sem hipocrisias agora, beleza?).

Caramba, hoje perdi cinco reais e nem por isso quis sair dando voadora em ninguém.
Aí vocês me dizem "Mas aquele um real é o ganha pão deles" aí eu digo "mas não existe só aquela parada de ônibus no centro do Recife" e complemento com a minha maior justificativa quando me referi aos meus ex cinco reais perdidos : Quem tem dinheiro é o meu pai, "eu sou pobre, pobre, pobre de merré, merré, merré" e se saio hoje de casa, saio com uma mão na frente e outra atrás, dá vergonha de admitir que eu, sem meu genitor, sou uma Zé Ninguém, mas é verdade.

Então, só espero que eles tenham sorte com as vendas e que há uma hora dessa já tenham parado de discutir.